quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"Eu não podia afastá-los sem motivo concreto", diz comandante de batalhão onde PMs presos atuavam


Tenente-coronel Alberi Barbosa revela estar "chateado" com suspeitas de que soldados teriam participado de crime em Porto Alegre

O comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Alberi Barbosa, passou a terça-feira concedendo entrevistas. Tinha pouco a dizer sobre a prisão de dois soldados da sua unidade, já que a investigação foi conduzida pela Corregedoria-geral da BM.

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A dupla é suspeita de participar da morte do ex-chefe do Destacamento de Operações e informações - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), Julio Miguel Molinas Dias. Alberi se diz “chateado” com o episódio, já que o batalhão é conhecido também pela ação enérgica contra assaltantes na Zona Norte. 

Confira entrevista que ele concedeu a Zero Hora após a prisão dos subordinados:
Zero Hora — O que o cidadão dos bairros guarnecidos pelo 11º BPM pode pensar se soldados do batalhão são suspeitos de envolvimento em assaltos e até numa morte?
Tenente-coronel Alberi Barbosa — Olha, não posso dizer o que outros cidadãos vão pensar. Eu, no caso, estou bem chateado com o que aconteceu. Mas garanto que toda e qualquer denúncia que nos chega é investigada. Por nós ou pela corregedoria. Esse sumiço de uma pistola (a primeira suspeita contra os PMs presos) foi investigado pela corregedoria.

ZH — São corriqueiras denúncias de policiais envolvidos em tantos crimes como estes? Se eles eram suspeitos de tanta coisa, por que estavam nas ruas e não afastados?

Tenente-coronel Alberi
 — Normal, claro que não é. Eles estavam trabalhando nas ruas porque toda pessoa é inocente, até que se prove sua culpa. Não poderiam ser afastados sem um motivo concreto. Como a investigação foi tocada pela corregedoria, eu nem tinha motivo para afastá-los. Desde que estou no batalhão eles não tinham sido afastados.

ZH — Como o batalhão recebe uma notícia dessas?

Alberi
 — Ninguém gosta. Pode ficar certo, somos os primeiros a sugerir expulsão de quem usa a farda para cometer crime. Mas não podemos nos precipitar, temos de seguir ritos formais e legais.



ZERO HORA

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